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Música


música (do grego μουσική τέχνη - musiké téchnea arte das musas)[1] é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar sons e silêncio seguindo uma pré-organização ao longo do tempo.[2]
É considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. Atualmente não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo, a música pode ser considerada como uma forma de arte, considerada por muitos como sua principal função.
A criação, a performance, o significado e até mesmo a definição de música variam de acordo com a cultura e o contexto social. A música vai desde composições fortemente organizadas (e a sua recriação na performance), música improvisada até formas aleatórias. A musica pode ser dividida em gêneros e subgêneros, contudo as linhas divisórias e as relações entre géneros musicais são muitas vezes sutis, algumas vezes abertas à interpretação individual e ocasionalmente controversas. Dentro das "artes", a música pode ser classificada como umaarte de representação, uma arte sublime, uma arte de espectáculo.
Para indivíduos de muitas culturas, a música está extremamente ligada à sua vida. A música expandiu-se ao longo dos anos, e atualmente se encontra em diversas utilidades não só como arte, mas também como a militareducacional ou terapêutica (musicoterapia). Além disso, tem presença central em diversas atividades coletivas, como os rituais religiosos[3],festas e funerais.
Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré-história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do sentido auditivo, a necessidade ou vontade de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora nenhum critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde-se, com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana.[4]

Definição social

Por trás da multiplicidade de definições, se encontra um verdadeiro fato social, que coloca em jogo tanto os critérios históricos, quanto os geográficos. A música passa tanto pelos símbolos de sua escritura (notação musical), como pelos sentidos que são atribuídos a seu valor afetivo ou emocional. É por isso que, no ocidente, nunca parou de se estender o fosso entre as músicas do ouvido (próximas da terra e dofolclore e dotadas de uma certa espiritualidade) e as músicas do olho (marcadas pela escritura, pelo discurso). Nossos valores ocidentais privilegiam a autenticidade autoral e procuram inscrever a música dentro de uma história que a liga, através da escrita, à memória de um passado idealizado. As músicas não ocidentais, como a africana apelam mais ao imaginário, ao mito, à magia e fazem a ligação entre a potencialidade espiritual e corporal. O ouvinte desta música, bem como o da música folclórica ou popular ocidental participa diretamente da expressão do que ouve, através da dança ou do canto grupal, enquanto que um ouvinte de um concerto na tradição erudita assume uma atitude contemplativa que quase impede sua participação corporal, como se só a sua mente estivesse presente ao concerto. O desenvolvimento da notação musical e a constituição artificial do sistema de temperamentos consolidou na música, o dualismo corpo-mente típico do racionalismo cartesiano. E de tal forma esse movimento se fortaleceu que mesmo a música popular ocidental, ainda que menos dualista, se rendeu à sistematização, na qual se mantém até hoje.


Música: um fenômeno social

As práticas musicais não podem ser dissociadas do contexto cultural. Cada cultura possui seus próprios tipos de música totalmente diferentes em seus estilos, abordagens e concepções do que é a música e do papel que ela deve exercer na sociedade. Entre as diferenças estão: a maior propensão ao humano ou ao sagrado; a música funcional em oposição à música como arte; a concepção teatral doConcerto contra a participação festiva da música folclórica e muitas outras.
Falar da música de um ou outro grupo social, de uma região do globo ou de uma época, faz referência a um tipo específico de música que pode agrupar elementos totalmente diferentes (música tradicionaleruditapopular ou experimental). Esta diversidade estabelece um compromisso entre o músico (compositor ou intérprete) e o público que deve adaptar sua escuta a uma cultura que ele descobre ao mesmo tempo que percebe a obra musical.
Desde o início do século XX, alguns musicólogos estabeleceram uma "antropologia musical", que tende a provar que, mesmo se alguém tem um certo prazer ao ouvir uma determinada obra, não pode vivê-la da mesma forma que os membros dasetnias aos quais elas se destinam. Nos círculos acadêmicos, o termo original para estudos da música genérica foi "musicologia comparativa", que foi renomeada em meados do século XX para "etnomusicologia", que apresentou-se, ainda assim, como uma definição insatisfatória.
Para ilustrar esse problema cultural da representação das obras musicais pelo ouvinte, o musicólogo Jean-Jacques Nattiez (Fondements d’une sémiologie de la musique 1976) cita uma história relatada por Roman Jakobson em uma conferência de G. Becking, linguista e musicólogo, pronunciada em 1932 no Círculo Línguístico de Praga:
Cquote1.svgUm indígena africano toca uma melodia em sua flauta de bambu. O músico europeu terá muito trabalho para imitar fielmente a melodia exótica, mas quando ele consegue enfim determinar as alturas dos sons, ele está certo de ter reproduzido fielmente a peça de música africana. Mas o indígena não está de acordo pois o europeu não prestou atenção suficiente ao timbre dos sons. Então o indígena toca a mesma ária em outra flauta. O europeu pensa que se trata de uma outra melodia, porque as alturas dos sons mudaram completamente em razão da construção do outro instrumento, mas o indigena jura que é a mesma ária. A diferença provém de que o mais importante para o indígena é o timbre, enquanto que para o europeu é a altura do som. O importante em música não é o dado natural, não são os sons tais como são realizados, mas como são intencionados. O indígena e o europeu ouvem o mesmo som, mas ele tem um valor totalmente diferente para cada um, porque as concepções derivam de dois sistemas musicais inteiramente diferentes; o som em música funciona como elemento de um sistema. As realizações podem ser múltiplas, o acústico pode determiná-las exatamente, mas o essencial em música é que a peça possa ser reconhecida como idêntica.Cquote2.svg
Nattiez


História da música

A história da música é o estudo das origens e evolução da música ao longo do tempo. Como disciplina histórica insere-se na história da artee no estudo da evolução cultural dos povos. Como disciplina musical, normalmente é uma divisão da musicologia e da teoria musical. Seu estudo, como qualquer área da história é trabalho dos historiadores, porém também é frequentemente realizado pelos musicólogos.[5]
Este termo está popularmente associado à história da música erudita ocidental e frequentemente afirma-se que a história da música se origina na música da Grécia antiga e se desenvolve através de movimentos artísticos associados às grandes eras artísticas de tradiçãoeuropeia (como a era medievalrenascimentobarrococlassicismo, etc.). Este conceito, no entanto é equivocado, pois essa é apenas a história da música no ocidente. A disciplina, no entanto, estuda o desenvolvimento da música em todas as épocas e civilizações, pois a música é um fenômeno que perpassa toda a humanidade, em todo o globo, desde a pré-história.
Em 1957 Marius Schneider escreveu: “Até poucas décadas atrás o termo ‘história da música’ significava meramente a história da música erudita europeia. Foi apenas gradualmente que o escopo da música foi estendido para incluir a fundação indispensável da música não europeia e finalmente da música pré-histórica."
Há, portanto, tantas histórias da música quanto há culturas no mundo e todas as suas vertentes têm desdobramentos e subdivisões. Podemos assim falar da história da música do ocidente, mas também podemos desdobrá-la na história da música erudita do ocidente, história da música popular do ocidente, história da música do Brasil, História do samba, história do fado e assim sucessivamente.


Teoria musical


Análise musical

Apesar de toda a discussão já apresentada, a música quando composta e executada deliberadamente é considerada arte por qualquer das facções. E como arte, é criação, representação e comunicação. Para obter essas finalidades, deve obedecer a um método de composição, que pode variar desde o mais simples (a pura sorte na música aleatória), até os mais complexos. Pode ser composta e escrita para permitir a execução idêntica em várias ocasiões, ou ser improvisada e ter uma existência efêmera. A música dos pigmeus do Gabão, o Rock and roll, o Jazz, a música sinfônica, cada composição ou execução obedece a uma estética própria, mas todas cumprem os objetivos artísticos: criar o desconhecido a partir de elementos conhecidos; manipular e transformar a natureza; moldar o futuro a partir do presente.

Grupo de música eruditaapresentando algumas composições de Mozart.
Qualquer que seja o método e o objetivo estético, o material sonoro a ser usado pela música é tradicionalmente dividido de acordo com três elementos organizacionais: melodiaharmonia e ritmo. No entanto, quando nos referimos aos aspectos do som nos deparamos com uma lista mais abrangente de componentes: alturatimbreintensidade e duração. Eles se combinam para criar outros aspéctos como: estrutura, textura e estilo, bem como a localização espacial (ou o movimento de sons no espaço), o gesto e a dança.
Na base da música, dois elementos são fundamentais: O som e o tempo. Tudo na música é função destes dois elementos. É comum na análise musical fazer uma analogia entre os sons percebidos e uma figura tridimensional. A sinestesia nos permite "ver" a música como uma construção com comprimento, altura e profundidade.
O ritmo é o elemento de organização, frequentemente associado à dimensão horizontal e o que se relaciona mais diretamente com o tempo (duração) e a intensidade, como se fosse o contorno básico da música ao longo do tempo. Ritmo, neste sentido, são os sons e silêncios que se sucedem temporalmente, cada som com uma duração e uma intensidade próprias, cada silêncio (a intensidade nula) com sua duração. O silêncio é, portanto, componente da música, tanto quanto os sons. O ritmo só é percebido como contraste entre som e silêncio ou entre diversas intensidades sonoras. Pode ser periódico e obedecer a uma pulsação definida ou uma estrutura métrica, mas também pode ser livre, não periódico e não estruturado (arritmia). Também é possível que diversos ritmos se sobreponham na mesma composição (polirritmia). Essas são opções de composição. Enfim é interessante lembrar que, embora pequenas variações de intensidade de uma nota à seguinte sejam essenciais ao ritmo, a variação de intensidade ao longo da música é antes de tudo um componente expressivo, a dinâmica musical.

Músico de rua em Pequim.
A segunda organização pode ser concebida visualmente como a dimensão vertical. Daí o nome alturadado a essa característica do som. O mais agudo, de maior frequência, é dito mais alto. O mais grave é mais baixo. O elemento organizacional associado às alturas é a melodia. A melodia é definida como a sucessão de alturas ao longo do tempo, mas estas alturas estão inevitavelmente sobrepostas à duração e intensidade que caracterizam o ritmo e portanto essas duas estruturas são indissociáveis. Outra metáfora visual que frequentemente é utilizada é a da cor. Cada altura representaria uma cor diferente sobre o desenho rítmico. Não é à toa que muitos termos utilizados na descrição das alturas, escalas ou melodias também são usados para as cores: tomtonalidadecromatismo. Também não deve ser fruto do acaso o fato de que tanto as cores como os sons são caracterizados por fenômenos físicos semelhantes: as alturas são variações de frequências em ondas sonoras (mecânicas). As cores são variações de frequência em ondas luminosas (eletromagnéticas). Assim como o ritmo, a melodia pode seguir estruturas definidas como escalas e tonalidades (música tonal), que determinam a forma como a melodia estabelece tensão e repouso em torno de um centro tonal. O compositor também pode optar por criar melodias em que a tensão e o repouso não decorrem de relações hierárquicas entre as notas (música atonal).
A terceira dimensão é a harmonia ou polifonia. Visualmente pode ser considerada como a profundidade. Temporalmente é a execução simultânea de várias melodias que se sobrepôem e se misturam para compor um som muito mais complexo (contraponto), como se cada melodia fosse uma camada e a harmonia fosse a sobreposição de todas essas camadas. A harmonia possui diversas possibilidades: uma melodia principal com um acompanhamento que se limite a realçar sua progressão harmônica; duas ou mais melodias independentes que se entrelaçam e se completam harmonicamente; sons aleatórios que, nos momentos que se encontram formam acordes; e outras tantas em que sons se encontram ao mesmo tempo. O termo harmonia não é absoluto. Manipula o conjunto das melodias simultâneas de modo a expressar a vontade do compositor. As dissonâncias também fazem parte da harmonia tanto quanto as consonâncias. Adicionalmente, pode-se criar harmonias que obedeçam a duas ou mais tonalidades simultaneamente (politonalismo - usado com frequência em composições de Villa-Lobos).
Cada som tocado em uma música tem também seu timbre característico. Definido da forma mais simples o timbre é a identidade sonora de uma voz ou instrumento musical. É o timbre que nos permite identificar se é um piano ou uma flauta que está tocando, ou distinguir a voz de dois cantores. Acontece que o timbre, por si só, é também um conjunto de elementos sequenciais e simultâneos. Uma série infinita de frequências sobrepostas que geram uma forma de onda composta pela frequência fundamental e seu espectro sonoro, formado porsobretons ou harmônicos. E o timbre também evolui temporalmente em intensidade obedecendo a uma figura chamada envelope. É como se o timbre reproduzisse em escala temporal muito reduzida o que as notas produzem em maior escala e cada nota possuísse em seu próprio tecido uma melodia, um ritmo e uma harmonia próprias.
Segundo o tipo de música, algumas dessas dimensões podem predominar. Por exemplo, o ritmo bem marcado e fortemente periódico tem a primazia na música tradicional dos povos africanos. Na maior parte das culturas orientais, bem como na música tradicional e popular do ocidente, é a melodia que representa o valor mais destacado. A harmonia, por sua vez, é o ideal mais elevado da música erudita ocidental.
Estes elementos nem sempre são claramente reconhecíveis. Onde estará o ritmo ou a melodia no som de uma serra elétrica incluída em uma canção de rock industrial ou em uma composição eletroacústica? Mas se considerarmos apenas o jogo dos sons e do tempo, a organização do sequencial e do simultâneo e a seleção dos timbres, a música nestas composições será tão reconhecível quanto a de umacantata barroca.


Gêneros musicais

Uma das divisões mais frequentes separa a música em grandes grupos:
  • Música erudita - a música tradicionalmente dita como "culta" e no geral, mais elaborada. Também é conhecida como "música clássica", especificamente a composta até o Romantismo por ter sobrevivido ao tempo ao longo dos séculos, no mesmo sentido em que se fala de "literatura clássica". Pode ser dito também de música clássica, obras que são bem familiares e conhecidas, ao ponto de serem assoviadas pelas pessoas, algo mais popular assim como a literatura. Seus adeptos consideram que é feita para durar muito tempo e resistir à moda e a tendências. Em geral exige uma atitude contemplativa e uma audição concentrada. Alguns consideram que seja uma forma de música superior a todas as outras e que seja a real arte musical. Porém, deve também ser lembrado que mesmo os compositores eruditos várias vezes utilizaram melodias folclóricas (determinada região) para que em cima dela fossem compostasvariações. Alguns compositores chegaram até a apenas colocar melodias folclóricas como o segundo sujeito de suas músicas (comoVilla-Lobos fez extensamente). Os gêneros eruditos são divididos sobretudo de acordo com o períodos em que foram compostas ou pelas características predominantes.
  • Música popular - associada a movimentos culturais populares. Conseguiu se consolidar apenas após a urbanização e industrialização dasociedade e se tornou o tipo musical icônico do século XX. Se apresenta atualmente como a música do dia-a-dia, tocada em shows e festas, usada para dança e socialização. Segue tendências e modismos e muitas vezes é associada a valores puramente comerciais, porém, ao longo do tempo, incorporou diversas tendências vanguardistas e inclui estilos de grande sofisticação. É um tipo musical frequentemente associado a elementos extra-musicais, como textos (letra de canção), padrões de comportamento e ideologias. É subdividida em incontáveis gêneros distintos, de acordo com a instrumentação, características musicais predominantes e o comportamento do grupo que a pratica ou ouve.
  • Música folclórica ou música nacionalista - associada a fortes elementos culturais de cada grupo social. Tem caráter predominantemente rural ou pré-urbano. Normalmente são associadas a festas folclóricas ou rituais específicos. Pode ser funcional (como canções de plantio e colheita ou a música das rendeiras e lavadeiras). Normalmente é transmitida por imitação e costuma durar décadas ou séculos. Incluem-se neste gênero as cantigas de roda e de ninar.
  • Música religiosa, utilizada em liturgias, tais como missas e funerais. Também pode ser usada para adoração e oração ou em diversas festividades religiosas como o natal e a páscoa, entre outras. Cada religião possui formas específicas de música religiosa, tais como amúsica sacra católica, o gospel das igrejas evangélicas, a música judaica, os tambores do candomblé ou outros cultos africanos, o canto do muezim, no Islamismo entre outras.

As apresentações musicais são cada vez mais realizadas pelo mundo, seja em datas festivas, ou em compromissos de artistas. A música sempre foi uma atração, desde a antiguidade.
Cada uma dessas divisões possui centenas de subdivisões. Gêneros, subgêneros e estilos são usados numa tentativa de classificar cada música. Em geral é possível estabelecer com um certo grau de acerto o gênero de cada peça musical, mas como a música não é um fenômeno estanque, cada músico é constantemente influenciado por outros gêneros. Isso faz com que subgêneros e fusões sejam criados a cada dia. Por isso devemos considerar a classificação musical como um método útil para o estudo e comercialização, mas sempre insuficiente para conter cada forma específica de produção. A divisão em gêneros também é contestada assim como as definições de música porque cada composição ou execução pode se enquadrar em mais de um gênero ou estilo e muitos consideram que esta é uma forma artificial de classificação que não respeita a diversidade da música. Ainda assim, a classificação em gêneros procura agrupar a música de acordo com características em comum. Quando estas características se misturam, subgêneros ou estilos de fusão são utilizados em um processo interminável.
Os estilos musicais ao entrar em contato entre si produzem novos estilos e há uma miscigenação entre culturas para produzir gêneros transnacionais. O blues e o jazz dos Estados Unidos,[6] por exemplo, têm elementos vocais e instrumentais das tradições anglo-irlandesas, escocesas, alemãs e afro-americanas que só podem ser fruto da produção do "século XX"(20).
Outra forma de encarar os gêneros é considerá-los como parte de um conjunto mais abrangente de manifestações culturais. Os gêneros são comumente determinados pela tradição e por suas apresentações e não só pela música de fato. O Rock, por exemplo, possui dezenas de subgêneros, cada um com características musicais diferentes mas também pelas roupas, cabelos, ornamentação corporal e danças, além de variações de comportamento do público e dos executantes. Assim, uma canção de Elvis Presley, um heavy metal ou uma canção punk, embora sejam todas consideradas formas de rock, representam diversas culturas musicais diferentes.
Também a música erudita, folclórica ou religiosa possuem comportamentos e rituais associados. Ainda que o mais comum seja compreender a música erudita como a acústica e intencionada para ser tocada por indivíduos, muitos trabalhos que usam samples, gravações e ainda sons mecânicos, não obstante, são descritas como eruditas, uma vez que atendam aos princípios estéticos do erudito. Por outro lado, uma trecho de uma obra erudita como os "Quadros de uma Exposição" de Mussorgsky tocado por Emerson, Lake and Palmer se torna Rock progressivo não só por que houve uma mudança de instrumentação, mas também porque há uma outra atitude dos executantes e da plateia.


Métodos de composição

Cada gênero define um conceito e um método de composição, que passa pela definição de uma forma, uma instrumentação e também um "processo" que pode criar sons musicais. A gama de métodos é muito grande e vai desde a simples seleção de sons naturais, passando pela composição tradicional que utiliza os sistemas de escalas, tonalidades e notação musical e varia até a música aleatória em que sons são escolhidos por programas de computador, obedecendo a algoritmos programados pelo compositor.


Crítica musical

Crítica musical é uma prática utilizada, sobretudo pelos meios de comunicação para comentar o valor estético de uma obra, intérprete ou conjunto musical. Um texto crítico frequentemente refere-se a um espetáculo ou álbum na época de seu lançamento. O assunto é complexo e polêmico, pois, desde os tempos em que a sua prática era levada a cabo por curiosos frequentadores da vida social e, consequentemente, dos espetáculos musicais, nunca se tornou claro qual o seu objetivo principal, nem mesmo quais os destinatários - o público, o artista ou ambos.
Ao longo do século XX, notou-se que, mesmo sem finalidade ou utilidade aparente, a crítica musical passou a despertar forte curiosidade nos que não frequentavam os espetáculos musicais e assim se apropriavam dos pontos de vista emanados nas críticas. Com o estabelecimento do comércio musical, os músicos e produtores musicais, em nome da captura das plateias e dos compradores, passaram a manipular seu conteúdo com diversos tipos de favorecimento aos críticos. Com a vulgarização desta prática, a isenção da crítica passou a ser questionada. Ainda assim, ela consegue influenciar o público e uma crítica em um veículo respeitado pode, dentro de certos limites, promover o sucesso ou o fracasso dos artistas, álbuns e espetáculos.
indústria cultural além de lançar tendências através de bandas pagas, agrupadas por redes de comunicação, também faz uso da crítica para vender sua mercadoria com artigos pagos, manipulação dos meios de comunição e a massificação de determinados estilos musicais. A prática de comprar a execução de uma música em horários de grande audiência é chamada no Brasil de "jabaculê" ou simplesmente "jabá".

pt.wikipedia.org/wiki/Música


Música para Surdos



A música é uma das artes mais belas do Mundo, permite-nos dançar, relaxar, enlouquecer, rir e chorar. Os surdos podem não a ouvir, mas a sentem muitíssimo bem. “Os indivíduos com deficiências auditivas sentem a música através de vibrações, a percepção destas vibrações musicais são tão reais como o seu equivalente sonoro por serem ambos processados na mesma região do cérebro”, expõe Dean Shibata, professor de radiologia na Universidade de Washington, que elaborou um estudo sobre o assunto.
Em Portugal, estes estudos já estão sendo desenvolvidos, e começam a surgir os primeiros concertos para pessoas surdas. A música entra no mundo dos surdos, as emissões de rádio já existem, a interpretação gestual na televisão já está em evolução, mas em nível de concertos, em Portugal as escolhas ainda não são muitas.
Os ingleses já inventaram as baladas direcionadas exclusivamente aos deficientes auditivos. Uma noite fixa garante que toda semana, os surdos de Londres possam se jogar nas pistas! James Hoggarth teve esta idéia quando tapou os ouvidos no meio de uma festa e percebeu que sentia os graves da música através do seu corpo. Desde então ele organiza a festa “Deaf Jam”, que conta com apresentação de vários DJs de renome na capital inglesa. Para ajudar nas sensações, a festa dos surdos conta ainda com um sistema de iluminação que muda no ritmo da música. O palco também é bem mais iluminado para que os clubbers surdos vejam os artistas fazendo sinais. Os DJs, é claro, abusam dos graves. Músicas como Billy Jean, de Michael Jackson, e LFO, hino do techno do início da década de 90, já são obrigatórias nos sets de quem se apresenta por lá graças ao baixo bem marcado dessas faixas.O dinheiro arrecadado nas festas é destinado a organizações não-governamentais que defendem os direitos dos surdos.

Fontes: Jornal Virtual e Obaoba Notícias



Música - Bibliografia
As indicações bibliográficas aqui são de três naturezas: História da Música, Guias de Música (e ensaios críticos) e Dicionários.
Os livros sobre história da Música são bastante diversos e possuem cada qual uma virtude diferente; procurarei dar preferência aos títulos disponíveis em português para facilitar o acesso e a compra, além de fazer comentários sobre eles no decorrer da indicação. Os guias são fontes de informação específica sobre determinado estilo, gênero ou até mesmo compositor. São muito próximos dos encartes que acompanham os CDs, contando um pouco da vida e obra de um autor, bem como descrevendo com minúcia aspectos técnicos e estéticos de suas obras. Parte destes guias são ensaios críticos, em geral publicados em revistas especializadas, como a Classic CD, a Grammophone e a Music magazine, mas que também são encontrados nas versões literárias.
E os dicionários, bem, como o próprio nome diz, são grandes fontes de referência para a música.

História da Música


BENNETT, Roy Uma Breve História da Música. Rio de Janeiro, Jorge Zahar
Editores, 1986

Este é um livro simples e básico. Editado juntamente com uma grande série (Cadernos de Música da Universidade de Cambridge), Roy Bennett traça um perfil breve mas essencial de todos os movimentos musicais desde a música medieval dos primeiros registros. Não se aprofunda em nenhum tema, mas aborda todos com objetividade e bom gosto. É um panorama geral que situa o leitor com precisão em todos os períodos históricos

CARPEAUX, Otto Maria Uma Nova História da Música São Paulo, Ediouro

Este já é um livro um pouco mais complexo: Apesar de começar também na música medieval, a partir dos primeiros registros escritos de música, a obra deste eminente intelectual austríaco (que emigrou para o Brasil na Segunda Guerra, adquirindo cidadania brasileira em 1947) é, além de histórica, crítica. Carpeaux, cuja vasta obra inclui crítica literária e teatral, escreveu um dos mais completos estudos sobre a história da literatura brasileira, que há pouco ganhou nova edição. Considerando isto, não é de admirar que Carpeaux faça uma história Crítica da música, percorrendo todos os períodos históricos, mas emitindo juízo de valores que por vezes podem parecer maldosos ou despropositados; De fato, são opiniões sinceras e destemidas de um crítico extremamente sensível, que embasa muito bem seus argumentos e acrescenta comentários muito pertinentes. Carpeaux não segue a cronologia tradicional da história da música, preferindo agregar mais os estilos que as épocas. Se podemos discordar de uma ou outra posição dele (o que é natural), mesmo assim vale a pena adentrar por este universo musical para desmistificar um pouco a música e seus autores.

GALWAY, James (redigido por William Man) A Música no Tempo

A obra de Galway, eminente flautista americano, já é mais completa que as anteriores. Procura dar indícios das manifestações musicais desde a mais remota antiguidade, pré-história, Egito, Mesopotâmia, Grécia, Roma e a Idade Média em diante. É ricamente ilustrado (os anteriores não são), e possui uma série de notas sobre aspectos mais técnicos da música (escalas, temperamento, forma, etc..) mas colocados de uma maneira simples e acessível. É um trabalho primoroso, bastante completo e que nos dá um panorama cronológico segundo a divisão clássica do tempo e dos estilos, com alguns comentários descontraídos e curiosos.
GROUT, Donald e PALISCA, Claude História da Música Ocidental Lisboa, Gradiva Publicações, 1994

Este já é um livro técnico. Quase sem ilustrações pictóricas, é um imenso volume de 760 páginas que analisa profundamente todos os períodos históricos, a partir da Grécia, com seus estilos, gêneros, e não deixa de citar nenhum compositor de importância mínima. Quase todo escrito como uma grande crônica, possui vários exemplos musicais transcritos (partituras e reproduções) para exemplificar obras fundamentais de um determinado estilo ou período. É um livro essencial para quem deseja uma história jornalística, imparcial e minuciosa. Só há tradução para o português nesta edição de Lisboa.

D
EYRIES, Bernard, LEMERY, Denys e SADLER, Michael História da Música em Quadrinhos. São Paulo, Martins Fontes, 1987
Alegre, descontraída e muito bem-humorada, esta edição não é, ao contrário do que muitos pensam, uma história da música para crianças. Apesar de não ter o mesmo caráter minucioso das anteriores, é um livro completo e de leitura prazeirosa, sem deixar de ser sério na proposição de percorrer todos os períodos da música com pertinência. Tem algo muito interessante neste livro, que é um narador externo, observador da história, que por diversas vezes tece paralelos entre um determinado período e outro, criando assim uma noção contínua da história da música, e não algo estático, sistematicamente dividido. As ilustrações são engraçadas e todas as informações, corretas.

MARIZ, Vasco História da Música no Brasil Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 4a. Edição, 1994

Apesar de Mário de Andrade ser considerado o precursor do estudo musical histórico no Brasil, esta obra é mais recente, mais atualizada e também mais completa. Vasco Mariz é um pesquisador de enorme relevância e seriedade, tratando a história da música brasileira, neste livro, em duas partes: Uma primeira em que são dispostos elementos puramente cronológicos, que permeiam todo o livro; e uma segunda, que está entre tal cronologia, que são os comentários específicos de diversos compositores. Assim, é possível procurar referência tanto de um período quanto de um autor específico.


Guias de Música

Guias Musicais BBC: (Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro)

Os guias musicais BBC foram lançados aqui no Brasil com traduções primorosas e bem revisadas. De fato, é uma das séries mais completas e aprofundadas que tratam especificamente de um conjunto de obras de determinado compositor. Cada uma delas é um livro independente, tal a qualidade de suas análises, posição crítica e descrições. Aqui uma breve lista dos títulos lançados pela JZE, com respectivos autores.

Bartók: Música Orquestral (John McCabe)
Beethoven: Concertos e Aberturas (Roger Fiske)
Beethoven: Quartetos de Cordas (Basil Lam)
Brahms: Música Orquestral (John Horton)
Debussy: Música para piano (Franck Dawes)
Haydn: Sinfonias (Robbins Landon)
Mahler: Sinfonias e Canções (Philip Barford)
Mozart: Música de Câmara (A. Hyatt King)
Schubert: Sonatas para Piano (Philip Radcliffe)
Schumann:Música para Piano (Joan Chissel)
Vivaldi (Michael Talbot)

Guia da Música Sinfônica (Organização de François-René Tranchefort, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1986)

Um livro de referência obrigatório nas preteliras dos apreciadores de música erudita: Trata-se de um grande compêndio de artigos, assinados por vários autores, em que comentam obras sinfônicas de 200 compositores, individualmente, de A a Z. O tratamento a cada análise inclui comentários estéticos, históricos e formais, sendo que nenhuma grande obra foi esquecida. Conta com um glossário ao final e tem ao todo 944 páginas.

Guia da Ópera (Arthur Jacobs e Stanley Sadie, São Paulo, Editora Siciliano, 1992)

É um livro semelhante ao anterior, mas que trata exclusivamente da produção operística, reunindo a sinopse de 83 grandes óperas de 41 compositores. Embora seja muito bem escrito e comentado, não é tão completo quanto o Kobbé, mas serve extraordinariamente bem à iniciação da Ópera. Para quem não conhece este universo e deseja uma iniciação suave, este livro é a recomendação ideal.
Cadernos de Música da Universidade de Cambridge (Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro)

Todos de autoria de Roy Bennett, estes títulos são, a exemplo do supracitado Uma breve história da Música, panoramas gerais sobre os assuntos citados nos títulos. Mesmo sem se aprofundar, são livros simples, curtos, baratos e extremamente funcionais, pela agilidade de referência e objetividade dos temas abordados. Alguns já não são para leigos, possuem referências e citações que já demandam uma certa intimidade com o tema (como por exemploForma e estrutura na Música). Outros são muito acessíveis e podem ser adquiridos sem problemas pelo leigo que deseje se aprofundar no estudo técnico da música. Recomendo, para isso, começar com o Elementos Básicos da Música. Aqui estão listados os títulos lançados:
Os instrumentos da Orquestra
Forma e estrutura na Música
Elementos básicos da Música
Instrumentos de Teclado

Kobbé - O grande livro da Ópera
Dicionários

KENNEDY, Michael The Concise Oxford Dictionary of Music
SADIE, Stanley (Editor) Dicionário Grove de Música - Edição Concisa Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 1994



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