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OS PENSADORES DA EDUCAÇÃO

SÓCRATES
   No  Século V a.C. o filósofo grego dizia que antes de o homem se preocupar em querer conhecer a origem da natureza ou das coisas, deveria primeiro procurar conhecer- se a si mesmo.A expressão "conhece-te a ti mesmo", gravada no pórtico do templo de Apolo,tornou-se a bandeira do filósofo que andava pelas ruas e praças de Atenas indagando as pessoas.
   "Tudo o que sei é que nada sei", Sócrates dava uma prova de humildade e sabedoria afirmando a consciência da própria ignorância.
   Por questionar as ideias, os valores e os comportamentos que os atenienses julgavam corretos e verdadeiros, por estimular o povo e principalmente a juventude ateniense a pensar e a refletir se todos aqueles valores da época eram verdadeiros, Sócrates foi considerado um perigo pelos poderosos de Atenas e condenado à morte, como todo mártir, sob a acusação de desrespeitar os deuses,corromper a juventude e violar as leis. Não se defendeu das acusações explicando a sua decisão: " se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito.(...)".
   Considerado pela maioria dos filósofos o Pai da filosofia, Sócrates não deixou nada escrito e o que dele se sabe deve-se aos  eus discípulos, principalmente a Platão.
  Com  a frase CONHECE-TE A TI MESMO em que inspirava a sua filosofia, queria dizer que nós devemos nos ocupar com nós mesmos.


PLATÃO
    As ideias de Platão influenciaram profundamente a filosofia ocidental. Baseava-se na diferenciação do mundo entre as coisas sensíveis ( mundo das ideias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres  vivos e a matéria).
      Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução  do mundo das ideias.Cada objeto concreto que existe participa, unto com todos os outros objetos de sua categoria, de uma Ideia Perfeita.Segundo ele, ao vermos um objeto, repetidas vezes, lembramo-nos, aos poucos, da ideia daquele objeto, que vimos no mundo das ideias.
     Platão defendia a ideia de que a alma precede o corpo e que, antes de encarnar, tem acesso ao conhecimento. Dessa forma todo o aprendizado não passaria de um esforço de reminiscência - um dos principais centrais do pensamento do filósofo.
       Platão defendia uma ideia que, paradoxalmente, sustenta grande parte da pedagogia atual: não é possível ou desejável transmitir conhecimentos aos alunos, mas levá-los a procurar respostas para as suas inquietações.
        Platão defendia que a escola ideal era a escola pública , baseando-se na ideia de que os cidadãos que têm o espírito cultivado fortalecem o Estado e que os melhores entre eles seriam os governantes. Defendia que toda educação era de responsabilidade estatal.
        Platão valorizava os métodos de debate com formas de alcançar o conhecimento. Afirmava também que a educação da mulher deveria ser a mesma educação aplicada aos homens.
 
ROUSSEAU
        Jean Jacques Rousseau  considerado por vários estudiosos como autor da "concepção motriz de toda racionalidade pedagógica moderna", preconiza a educação natural: voltar a unir natureza e humanidade.
         Rousseau não aceitava a educação intelectualista - que fatalmente levaria o ensino formal e livresco - por considerar que o homem não se constitui apenas de intelecto, mas também de disposições primitivas, como: as emoções, os sentidos, os instintos e os sentimentos ( que existem antes do pensamento elaborado) e são, para ele, mais dignas de confiança, do que os hábitos  de pensamentos que foram forjados pela sociedade e impostos ao indivíduo.Para ele, a criança não é educada para Deus, nem para a vida em sociedade, mas sim, para si mesma: "Viver é o que eu desejo ensinar-lhe.Quando sair das minhas mãos , ele não será magistrado , soldado ou sacerdote, ele será, antes de tudo, um homem".
         Rousseau combateu as ideias da época de que a educação da criança deveria ser voltada aos interesses do adulto e da vida adulta. Introduziu a concepção de que a criança era um ser com características próprias em suas idéias e interesses e, desse modo, não mais podia ser vista como um adulto em miniatura.

Afirmava que a educação não vem de fora, mas é a expressão livre da criança no seu contato com a natureza. Ao contrário da rígida disciplina e excessivo uso da memória propôs que fossem trabalhados com a criança: o brinquedo, o esporte, a agricultura e o uso de instrumentos de variados ofícios, a linguagem, o canto, a aritmética e a geometria.Assim, a criança poderia pesar,medir, contar, desenvolvendo atividades relacionadas à vida e aos seus interesses.
 DEWEY
   O filósofo John Dewey tornou-se um dos maiores pedagogos americanos, contribuindo intensamente para a divulgação  dos princípios do que se chamou de ESCOLA NOVA.
    Dewey criticava severamente a educação tradicional, principalmente no que se refere à ênfase dada ao intelectualismo e à memorização.
   O conceito central do pensamento de Dewey é a experiência, que consiste, por um lado, em experimentar e, e por outro lado, em provar. Chegou a conclusão de que a escola não pode ser uma preparação para a vida, mas, sim, a própria vida.Desde modo a finalidade da educação é propiciar a criança  condições para que resolva por si  própria os seus problemas, e não formar a criança de acordo com modelos pré- estabelecidos ou orientá-la para um futuro. A educação progressiva está no crescimento constante da vida à medida que vai sendo aumentando o conteúdo da experiência, assim como ocontrole que podemos exercer sobre ela.
  Para Dewey a educação é uma necessidade social: os indivíduos precisam ser educados para que se assegure a continuidade social, transmitindo suas crenças, suas idéias e seus conhecitotalmente ao conhecido.
mentos.

PIAGET
  Com Piaget ficou claro que as crianças não raciocinam como os adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos Da maturidade psicológica. Essa inserção se dá mediante dois mecanismos: ASSIMILAÇÃO e ACOMODAÇÃO. Segundo Piaget, a adaptação é o próprio desenvolvimento da inteligência e ocorre através da assimilação e acomodação.
ü  ASSIMILAÇÃO: consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais existentes. EX: a criança que tem a idéia mental de uma ave como animal voador, com penas e asas, ao observar um avestruz vai tentar assimilá–lo  a um esquema  que não corresponde totalmente ao conhecido.
ü  ACOMODAÇÃO: refere-se a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Assim depois de aprender que um avestruz não voa, a criança  vai adaptar seu conceito “geral” de ave para incluir as que não voam.
      O pensamento infantil passa por quatro estágios , desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida.
      Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento.Para ele, a aprendizagem refere-se `aquisição de uma resposta particular, aprendida em função da experiência, obtida de forma sistemática ou não.
      Piaget descreve basicamente os quatro estágios, que ele próprio chama de fase de transição( Piaget, 1975).
ü  SENSÓRIO-MOTOR ( 0 – 2 anos):
A partir dos reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio.
ü  PRÉ-OPERATÓRIO (2 – 8 anos):
É nesta fase que surge na criança a capacidade de substituir um objeto ou acontecimento por uma representação e está substituição é possível, conforme Piaget, graças à função simbólica.Este estágio também é conhecido como o estágio da Inteligência Simbólica.
ü  OPERATÓRIO-CONCRETO (8 – 11 anos):
Neste estágio a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, sendo então capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Apesar de não se limitar mais a uma representação imediata, depende do mundo concreto para abstrair.
ü  OPERATÓRIO – FORMAL (12 em diante):
É neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. A representação agora permite à criança  uma abstração total, não se limitando  mais à representação  imediata e nem  às relações previamente existentes. Agora a criança é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só da observação da realidade.
 De acordo com Piaget “O conhecimento não pode ser uma cópia, visto que é sempre uma relação entre objeto e sujeito”.
Os principais objetivos da educação consistem na formação  de homens”criativos, inventivos e descobridores”, de pessoas críticas e ativas, e na busca constante da construção da autonomia.

DECROLY
    Foi provavelmente o pensador mais combativo entre os pensadores da educação que, na virada do século XIX para o XX, contestaram o modelo de escola existente e  propuseram uma nova concepção de ensino. Por ter sido, na infância, um estudante indisciplinado, que não se adaptava ao autoritarismo d a sala de aula nem do próprio pai, dedicou-se apaixonadamente a experimentar uma escola centrada no aluno, e não no professor, e que preparasse as crianças para viver em sociedade, em vez  de simplesmente fornecer  a elas conhecimentos destinados à sua formação profissional.
   Decroly promove o trabalho em equipe mantendo, porém, a individualidade do ensino com o fim de preparar o educando para a vida. A ausência de idéias religiosas é uma das características de seu modelo pedagógico.
   O método de ensino da leitura, assim como a sua organização, girava em torno de centros de interesses e de jogos educativos, favorecendo a convergência multidisciplinar  ligada à vida da criança. O interesse está na base de toda atividade, iniciando a criança a observar, associar, expressar-se.
   Seu método,  mais conhecido como centro de interesse, destinava-se especialmente às crianças das classes primárias. Os centros de interesse são grupos de aprendizados segundo faixas de idade dos estudantes.
 A criança tem espírito de observação; basta não matá-lo”.
ü  ASSOCIAÇÃO: permite que o conhecimento adiquirido pela observação seja entendido em termos de tempo e espaço.
ü  EXPRESSÃO: por esse meio a criança poderia externa sua aprendizagem, através de qualquer meio de linguagem, integrado os conecimentos adquiridos, de maneira globalizadora. A expressão seria a culminância do processo e subdivide – se em:
·         Expressão concreta: materialização das observações e criações pessoais; se traduz em desenho livre, trabalhos manuais.
·         Expressão abstrata: materialização do pensamento através de símbolos e códigos convencionais; apresenta-se no texto livre, linguagem matemática, musical...
   Decroly preferia o trabalho em grupos, uma vez que a escola, para ele, deveria prepara para o convívio em sociedade.

FROEBEL
 Froebel defendia um ensino sem obrigações, porque o aprendizado depende dos interesses de cada um e se faz por meio da prática. Foi um dos primeiros educadores a considerar o início da infância como uma fase de importância decisiva na formação das pessoas.
Duas tendências históricas são essenciais para a compreensão da obra de Froebel:

  • A valorização da infância – encarada como uma fase da vida com particularidades bem marcantes e com duração longa.Anteriormente era comum meninos de 7 anos entrarem  para as Forças Armadas. Cerca de um século antes do nascimento de Froebel, tamanha era a mortalidade infantil que a infância não passava de um período de “teste” para candidatos a adultos. Na idade média a idéia de infância simplesmente não exixtia: as crianças eram adultos à espera de adquirir a estatura “normal”.
  • O individualismo burguês- simbolizado pela figura de Napoleão, que encarnava o ideal do homem que  se fez sozinho e se tornou imperador da França.
O educador acreditava que as crianças trazem consigo uma metodologia natural que as leva a aprender de acordo com seus interesses e por meio de atividade prática.Ele combatia o excesso de abstração da educação de seu tempo, argumentando que isso afastava os alunos do aprendizado. Dizia que na primeira infância, o importante era trabalhar a percepção e a aquisição da linguagem. No período propriamente escolar, seria a vez de trabalhar a religião, as ciências naturais, a matemática, a linguagem e as artes. Ele não fez a separação entre religião e ensino, consagrada atualmente, mas via a educação como uma  atividade em que a escola e família caminham juntas, outra característica que o aproxima da prática conteporânea.


1 comentários:

EDUCAR É VIVER disse...

Colegas de profissão aos poucos serão postados um pouco de cada pensador da educação.

 
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